Já disse por aqui que minhas melhores idéias se dão no ônibus indo para a faculdade, porém quase nunca posso escrevê-las; logo ficam para trás, junto com o caminho percorrido. No entanto, algumas coisas marcam. Como a conversa do casal ao lado que sentem pena do senhor solitário que nunca se casou. Afinal de contas, ninguém pode ser feliz sozinho, e quem o diz que é está mentindo. Eu me vi no senhor solitário. Não tenho a espada justiceira, por isso minha visão não vai além do alcance; ela é turva, incerta, e o máximo que consigo (pre)ver é o mesmo cenário de sempre. Solidão, solidão e solidão.
Talvez eu seja apenas aquele menino dramático, fazendo birra para chamar a atenção. Mas de quem?! Aqueles que lêem este blog e me conhecem pessoalmente acreditam que faço poesias, que conto histórias. Os que não me conhecem provavelmente acreditam que sou apenas um rapaz mal amado com tendência suicida, logo não posso estar próximos de objetos pontiagudos, pois a qualquer momento posso cortar meus pulsos. As pessoas são engraçadas, às vezes.
Das coisas que me dão prazer, escrever é uma delas. Não é uma obrigação, é mesmo um estado de espírito, e no meu caso um espírito deprimente. É o que me motiva a estar por aqui. Estes dias tem me feito pensar por demais, refletir por demais e agir de menos, e isso é o problema; saber de onde se quer sair, porém não saber aonde se quer chegar.
Responsabilidade. O que se faz com isso? Você a deseja ardentemente e quando a têm percebe que a vida é mais que filmes da sessão da tarde e você não é nenhum Balboa. Que coragem apenas não basta; que a verdade tão somente não basta, e que respirar às vezes dói.
A minha motivação ultimamente é dormir sem ter hora para acordar, na esperança de que quanto mais eu dormir mais rápido os hematomas vão desaparecer. Logo eu poderei sorrir sem me importar com a mancha de sangue entre os dentes, pois eu sei que elas também vão desaparecer; assim como eu.
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