O Sol ilumina meu quarto e faz-me perceber que não é somente o frio que bate a minha porta. Os pássaros cantam na minha janela e percebo que há vozes melodiosas a entoar hosanas; há sons mais belos que impropérios e gritos. Meu quarto está tão vazio e tão infinitamente aconchegante, e a verdade chega aos meus ouvidos com “tom” de interesse. Neste momento eu me lembro que o interesse move o mundo e as relações são desiguais na maior parte do tempo.
Este tempo gélido me remete às fotografias desbotadas e não há lenha o suficiente na lareira que aqueça meu coração; e a forma como as coisas acontecem e porque acontecem é angustiante.
Minha barba espessa não me faz mais Homem, e os vínculos que criei são tão tênues, incapazes de resistir ao adeus, eu sei disso, não pela minha visão pessimista, mas pelo ofuscamento dos olhos.
Eu me sinto terrivelmente só, e ao contrário do que acredito, se há relações intermináveis, porque aqueles que saem sempre fecham a porta?. Eu gostaria de escrever uma canção, não tão destrutiva quanto me sinto agora. Um livro, que exprimisse muito mais que o simples vazio. Um poema, que se estendesse além da ilusão, e que o cansaço fosse conseqüência da busca por um objetivo maior.
Deus, eu peço-lhe perdão pelo que me tornei, e oro todo dia para que eu possa ser como eu era antes, pois se é verdade que tudo evolui, a única evolução em mim é a descrença por esta sociedade.
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