O telefone toca e eu não atendo, pois, não é para mim; e eu não preciso dizer alô para saber disso. O lençol está amarrotado e não há o porquê de desfazer isso.
A campanhia toca e eu não abro a porta, pois, não é para mim; e eu não preciso ir até lá fora para saber disso. Não há cortinas nas janelas, nem mesmo para enfeite, porém, não há o porquê de fazer isso.
Há caixas espalhadas pela casa, e não há nada que eu possa fazer a não ser olhar a poeira fazer morada; e não há o porquê de não fazer isso.
Eu sou falso como um ser humano pode ser; talvez seja mais falso que muitos deles. Eu sou egoísta como um ser humano pode ser; talvez seja um dos piores, por ser fiel aos meus ideais. Eu sou arrogante como um ser humano pode ser, e eu faço isso com maestria, simplesmente por amar o som do silêncio.
Eu sou um humano que precisa ser amado, e sou um miserável por isso. No entanto, os céus já sabem disso.
.
.