Sexta-feira, Fevereiro 12, 2010

*Cem anos de solidão

"Ah, diz quantos desastres tem na minha mão..."
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Eu não sei se os ventos a levaram para longe ou apenas me afastaram, só sei que os mesmos ventos destelharam casas e destruíram barracos. As fortes ondas não deixaram vestígios do castelo de areia que projetei e criei. Não ficou nada, como nunca fica nada em minha vida. É sempre uma sucessão de adeus. Sempre.

A luz do quarto queimou e não sei dizer o porquê; é como se ela já estivesse fadada em algum momento a deixar de emitir sua luz. Por mais que eu troque a lâmpada não será a mesma lâmpada, e se assim eu fizer, o fim será o mesmo. Talvez o prolongamento seja diferente, mas o fim é inevitável.

Existe alguma coisa neste mundo que esteja livre deste ciclo de começo, meio e fim?!

Eu gostaria de poder acreditar. Na verdade, eu gostaria de poder acreditar em muitas coisas...
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*Gabriel Garcia Márquez